8 de mai. de 2011

Dia 33 a Dia 35 - Kuala Lumpur - Malasia

Assim que o aviao comecou a descer e cada vez mais se aproximava do aeroporto maiores eram as sensasoes de euforia que tinha. Nunca na minha vida vi tanta palmeira junta, a volta da cidade todo o espaco e vegetacao eram impressionantes. Cheguei a capital da Malasia, cidade tropical e de misturas exoticas, cheguei a Kuala Lumpur.

Assim que sai do aeroporto (depois de um demorado controle de passaportes) dirigi-me a Chinatown, o bairro dos "flip-flop travellers" onde pretendia encontrar alojamento. Depois de visitar 3 hostels, decidi-me pelo que tinha consultado no hostelworld (Suzie's G.H.) onde por 6 eur tenho direito a uma cama num dorm de 6 pax com pequeno almoco. Aqui na Malasia a vida e bem mais cara que nos paises que tinha visitado ate agora, por isso desco um degrau na luxuria e subo um outro degrau na poupanca de ringiit's.

As principais atraccoes turisticas de Kuala Lumpur podem ser vistas em dois dias, caminhando tranquilamente pela cidade. O calor e muito forte, mas a cidade tem ao mesmo tempo muitos recantos verdes para uma pessoa se abrigar a sombra enquanto bebe alguma coisa fresca. A Malasia e um pais mulsumano, por isso o choque cultural e bem visivel a primeira instancia, para alem de que e uma cidade muito desenvolvida, nao ficando atras de nenhuma capital ocidentala em termos de desenvolvimento urbano.

A cidade tem 4 zonas principais que valeram a pena visitar. Em dois dias e meio, sem usar nenhum tipo de transporte pude visitar tranquilamente a cidade, caminhando com os meus velhos chinelos:

Chinatown
Fundado em 1957 o bairro de Chinatown e a zona pioneira da cidade onde se estabeleceram os primeiros habitantes. Este bairro sabe mais de por ser velho do que por ser o coracao comercial dos mercados de rua e tudo o que isso comporta a nivel de gente. E a mecca dos artigos de luxo falsificados. Se queres um rolex da treta ou mesmo umas Timberland com sola de plastico, entao vieste ao sitio certo. E verdade que a maioria das falsificacoes sao bem feitas e enganavam qualquer um num centro comercial. Por isso aqui o dinheironho e melhor ficar na carteira nao va levar um barrete nas ruas...

Jalan Petaling, a rua mais famosa de Chinatowns e onde estao a maior parte das falsificacoes

Malas falsas e outros bens de classe B

Little India
Antes de chegar a Little India e obrigatorio passar pelo antigo campo de criquet (heranca da epoca colonial inglesa) na Merdeka Square. Um local bom para relaxar as pernas. Little India fica logo ao lado e uma vez mais um turbilhao de mercados, gente e comida.

Merdeka Square

Little India

Zona das Petronas Towers e KLCC Park
As torres gemeas da companhia petrofilera Petronas forma ate pouco tempo os edificios mais altos do mundo com 452 metros de altura. Esta zona e a zona "in" da cidade e seras um turista "out" se nao vieres aqui apreciar a bela obra de engenharia e arquitectura, bem como explorar as lojas a volta das torres.

Petronas twin towers

Golden Triangle
Palavras para que, esta zona quer ser a Times Square de Kuala Lumpur...

Golden Triangle

Estou a duas horas de apanhar o autocarro da noite para Kuala Besut, de onde apanharei o barco para Pulau Perhentian Kecil a ilha pequena das Perhentian Islands. Estas ilhas nao tem nem electricidade (apenas geradores), nem carros, nem internet, nem estradas, nem quase nada, para alem de muita variedade de vida marinha (tartarugas, tubaroes e muitos peixinhos de varias cores) e recifes de corais. Ficarei por aqui por tempo incerto, para fazer um curso de mergulho PADI e mergulhar durante todo o dia ate que me doam as costas do sol, assim que nao darei noticias durantes uns tempos. Deixo uma fotografia para que voces deem asas a imaginacao :)

Pulau Perhentian Kecil

7 de mai. de 2011

Dia 29 a Dia 32 - Siem Riep e templos de Angkor - Cambodja

A viagem de Phnom Phen a Siem Riep foi rapida e confortavel, demorou apenas 6 horas. Cheguei a cidade e apenas sai do autocarro estavam dezenas de tuk tuk's a gritar qualquer coisa que nao entendi bem, mas era para que um deles nos levasse ate a uma Guest House. Dividi como sempre um tuk tuk com gente que conheci no autocarro, neste caso um rapaz da Coreia do Sul e duas raparigas do Canada que ja tinham uma guest house reservada e nos disseram (a mim e ao sul coreano) que essa pousada era muito bacana e barata. Eu como aprendi a nao reservar com antecedencia pois sei que no caminho encontro sempre alguem que me de dicas, ouvi exactamente o que queria ouvir. A pousada estava bem situada e um quarto individual com tv e casa de banho privada custava apenas 7 USD com pequeno almoco incluido. Fiquei ali durante toda a minha estadia em Siem Riep.

Esta cidade nao tem nada que ver com Phnom Phen, e muito mais alegre e animada e alem disso tem um dos must's desta viagem, os templos de Angkor. A primeira noite dei uma volta pelo centro e jantei por ali nas ruas perto do night market, para me ambientar com a cidade. Experimentei o Dr. Fish.
Este Dr. Fish sao uns peixinhos bem extrovertidos que estao dentro de um aquario e onde pela modica quantia de 2 USD durante 25 minutos eles comem-te a pele morta dos pes enquanto eles (os donos do estabelecimento) te oferecem uma cerveja. Um sitio invulgar para descansar e ter os pes limpos. Excusado sera dizer que no ultimo mes tenho andado praticamente todos os dias de chinelos por isso tinha uma camada de negrum na sola do pe que ja nao saia apenas com sabonete. Quando terminei constatei que para alem de poder ver branquinho outra vez por debaixo do pe, tambem tinha os pes macios. Foi engracado que no aquario onde me meti ja estava antes uma rapariga japonesa em pleno "tratamento" e assim que coloquei os meus pes na agua ela ficou sem peixe quase nenhum. Contudo eu fui completamente atacado por uma nuvem de peixinhos, sera que tinha tanto para petiscar nos meus pezinhos?


Dr. Fish

Ao largo das outras noites tive algumas experiencias culinarias interessantes com os meus novos amigos aqui em Siem Riep. A comida aqui no Cambodja tem muita variedade e um toque peculiar de condimento a base de coco, caril e outras especiarias. Pude experimentar amok de peixe e amok camarao (o que vivamente aconselho a quem venha por estas bandas). Este prato e uma mistura de coco com ovo e peixe com um toque de especiarias muito variadas que e simplesmente sublime ao paladar. Normalmente vem servido numa folha de bananeira ou num casco de coco o que e a cereja em cima do bolo, pois se fosse num prato um gajo nem se sentia num pais tropical.

Amok de peixe

Experimentei tambem Cambodian BBQ. Isto sim que foi coisa nova. Eu chamaria-lhe uma fusao de fundue com raclette a maneira asiatica. Trata-se de um vaso de barro cheio de carvao, onde se coloca, por cima, uma peca de aluminio parecida com uma forma de bolos, so que a parte central e mais larga e tem a forma de uma semi-esfera. Na parte exterior poe-se noodles com vegetais a cozer em caldo de carne. E na parte central assa-se a carne. De muitas carnes pode-se escolher uma grande variedade. Em dois dias que fui ao restaurante pude experimentar um pouco de tudo, desde cobra (piton), sapo, crocodilo, canguru, cabra, vaca, galinha, camarao e lulas. Foi uma descoberta interessante. Eu definiria os repteis como uma mistura perfeita de metade carne e metade peixe. Simplesmente aconselhavel. E acompanhado com os vegetais que se cozem e com arroz, estes normalmente sao a descricao, por isso quem ficar com fome e porque nao soube pedir mais.


Prato com cobra (piton), parece salmao mas sabe a gaivota (imagino eu). Tambem ha um pouco de canguru, sapo, crocodilo e cabra. Como dizem aqui no Cambodja "Same, Same... But different..."


Templos de Angkor

Os templos de Angkor sao simplesmente fabulosos e nao ha palavras que cheguem para descrever as maravilhas arquitectonicas de estas construcoes. Esta claro que sao uma das novas sete maravilhas do mundo e patrimonio da humanidade pela UNESCO, junto com as Piramides de Gise no Egipto, a grande Muralha da China e o Taj Mahal na India.
Angkor e a regiao que serviu em tempos ao imperio Khmer e a sua traducao significa cidade. Nao confundir o Imperio Khmer (que foi um dos mais prosperos do mundo, podendo ser comparado com o imperio romano) com os Khmer Rouge (que foi a coisa mais barbara que passou aqui no Cambodja. O imperio Khmer comecou no ano 802 DC com o rei Jayavarman II a proclamar-se "Rei Universal" e "Deus Rei", tanta era a pasta que tinha nos seus cofre e terminou em 1431 DC. Desde esse momento os templos foram abandonados e comidos literalmente pela densa floresta tropical que os envolve. E engracado que foram os portugueses que descobriram os templos, atraves de uma expedicao liderada por Diogo de Couto, mas a sua publicacao nunca foi oficial ate aos anos noventa do seculo XX. Quem ficou com as glorias foram os franceses que descobriram os templos numa expedicao colonial em 1902. a partir de ai estes templos tem sido o maior fenomeno turistico aqui do Cambodja (excepto nos anos do regime do Khmer Rouge, que ate me admira como nao deram cabo disto).
Durante 3 dias explorei os templos principais dividindo tuk tuk nos dois primeiros dias com o meu amigo sul coreano uma rapariga russa e no ultimo dia aventurei-me a ir sozinho de bicicleta pois ja ninguem quis ir um terceiro dia.
Vi o por do sol sobre a floresta, levantei-me as 04h00 para ver o nascer do sol sobre os templos e juro que nunca tinha sentido tanto calor na minha vida entre as 12h00 e as 16h00. Suei como nunca imaginei que poderia suar e a agua que bebi em tanta quantidade alimentou apenas os poros da minha pele, pois nao fui vez nenhuma a casa de banho... Abril e o mes mais quente aqui no Cambodja e os termometros chegam a rondar os 45 graus, completamente surreal.
Deixo aqui umas imagens dos templos que visitei, palavras para que? Deixo umas imagens pela ordem em que visitei os templos.

Nota: Por motivos de forca maior, nao pude poder subir as minhas fotos a este computador da idade da pedra, tive que procurar algumas imagens no google para este post. Contudo as fotos que tenho sao bem melhores (pois tambem apareco eu) e poderao ve-las no Facebook :)

Angkor Thom

Ainda nao se sabe se as caras nas torres sao a imagem do rei ou guardioes dos pontos cardeais

Angkor Thom, significa "Great City" e foi em tempos a capital do imperio Khmer

Terrace of The Elephants

Era aqui que os reis esperavam o regresso do seu exercito victorioso e viam a parada militar


Terrace of The Leper King

Dizem que tem o nome do "rei leproso" pois a estatua tinha uns fungos que se assemelhavam a lepra. Ha uma outra teoria que diz que houve de facto um rei leproso.


Ta Prohm

A tomb raider tree, onde Angelina Jolie foi a protagonista de Lara Croft no filme

Lara Croft antes de saltar para dentro... Dos estudios da Pinewood...

Ao contrario dos restantes templos de Angkor este templo foi deixado basicamente tal como foi encontrado, i.e., completamente absorvido pela selva


Angkor Wat

Angkor Wat, o ceu na terra... A mae de todos os templos!

Este templo e o maior edificio religioso do mundo.

Nas galerias interiores sao contadas varias historias hindus e de batalhas reais

Phrom Bakheng

Esperando o por do sol em Phrom Bakheng...

... E ai esta ele!!!

Sra Srang

Levantei-me cedinho para ver um nascer do sol assim.

Pre Rup

Pre Rup significa "vira o corpo". Era aqui que cremavam os corpos dos reis e a medida que o ritual se ia desenvolvendo iam tambem virando as cinzas em diversas direccoes.

Eastern Mebon

Foi concebido como um grande reservatorio de agua que albergava uma ilha no meio. As aguas do rio Siem Riep chegavam ate aqui. Hoje esta completamente seco.

Este templo foi dedicado a Shiva, o deus Hindu e e guardado por estatuas de elefantes olhando em todas as direccoes.

Preah Neak Poan

Dizem que este templo e uma representacao de Anavatapta, um lago mitologico nos himalaias que dizem que a sua agua cura qualquer doenca

O seu nome significa "serpentes enredadas" tal como a estatua de serpentes no meio da agua...


Preah Khan

Este foi um dos templos contruidos pelo megalomano rei Jayarvaman VII, que se proclamou rei do reis-deuses e foi o que investiu mais tempo e dinheiro em Angkor

Quando estava no seu expoente maximo este templo albergou mais de 100.000 serventes e oficiais. Nunca foi recuperado e esta bem invadido pela selva

5 de mai. de 2011

Dia 26 a Dia 28 - Phnom Phen - Cambodja

Phnom Phen
Cheguei a Phnom Phen completamente exausto, depois de uma viagem completamente surrealista desde Saigon, bem ao estilo asiatico. Na noite anterior embarquei por volta das 23h00 no BUS que me iria trazer a Phnom Phen. Em teoria o autocarro deveria sair as 23h30 , mas afinal so saimos de Saigon por volta da 01h30. La comecamos a andar mas passados 20 minutos o autocarro parou em frente a um edificio para que os senhores motoristas fizessem uma massagem. Chegamos a fronteira por volta das 03h00 e depois do autocarro parar e de desligarem o A/C e que nos disseram que a fronteira so abria por volta das 06h00. Ja completamente molhado em suor, tive de passar estas horas a andar de um lado para o outro a volta do autocarro, pois os motoristas nem ve-los. Demoramos 2 horas para fazer o controlo de passaportes e tratar do visto (VOA). Comecamos a andar mas assim que passamos uma zona urbana la paramos outra vez para a malta tomar o pequeno almoco. De ai foi sempre a andar, muito lentamente por causa da ma condicao das estradas que muitas vezes nem asfalto tinham. Cheguei a Phnom Phen por volta do meio dia. Demorei cerca de 11 horas para precorrer 210 km, foi a viagem mais dura que tive ate agora durante toda viagem. A companhia de autocarros Vicathai, nem pensar nela...

Phnom Phen e a capital do Cambodja e tem cerca de 2 milhoes de habitantes. A cidade em si e muito pobre e nao e muito bonita para se visitar. As atraccoes turisticas desta cidade sao basicamente os killing fields do Khmer Rouge e a prisao S-21, a antiga escola secundaria onde o regime do Khmer Rouge torturava e matava os seus prisioneiros.
Passei a tarde a deambular pelas ruas da cidade, onde pude contactar pela primeira vez com a extrema simpatia da populacao do Cambodja. Foi amor a primeira vista, apesar da extrema pobreza e de se ver muita gente mutilada pelas minas nas ruas, fiquei completamente impressionado com a hospitalidade das pessoas. Alem disso as criancas sao muito divertidas e por onde quer que passes dizem-te sempre "hello".

Criancas em Phnom Phen

Quando estava a caminhar pelas margens do rio Mekong (um sitio fabuloso para passar o fim da tarde e ver o por do sol), cruzei-me com um grupo de 6 monges budistas (a maioria nao tinha mais de 13, 14 anos) que estavam a conversa com um rapaz alemao num banco junto ao rio. Juntei-me a eles e passei o resto da tarde a conversar acerca da vida no Cambodja. Perguntei ao monge mais velho (cerca de 22 anos) porque e que eram tao felizes e sempre estavam a sorrir, depois de todas as atrocidades de que foram victimas por parte do Khmer Rouge. Ele respondeu-me com inspiracao, que e o que acontece quando tiram a liberdade de sorrir e cantar a uma populacao. Eles agora podem rir sem que ninguem os mate, ou torture por isso. Disse-me que finalmente sao um pais livre e tem liberdade para expressar os seus sentimentos mais profundos. No fim da tarde fui convidado pelos monges para os visitar no dia seguinte e aprender um pouco de meditacao no templo onde viviam, oferta que tristemente recusei pois nao tinha muito tempo na cidade e para isso precisaria de alguns dias. Convidei-os a beber uma coca-cola ali em plena rua, a qual aceitaram sem pestanejar. Quando estava a distribuir as latas, aprendi que a um monge budista se lhe ofereces alguma coisa tens de o fazer com as duas maos, senao nao podem aceitar. Fiquei contente pela alegria que dei a estes rapazes, que apesar de terem enverdado pelo caminho espiritual, nao deixam de ter a ingenuidade e gratificacao de uma crianca propria da sua idade. Despediram-se de mim mas antes honraram-me a mim e a minha viagem com a sua bencao. Disseram-me que algum dia gostariam de conhecer o mundo tal como estou a fazer e fiquei a pensar nisso, pois sei que num pais como este, viajar pelo mundo e uma grande utopia e quase com toda a certeza do mundo que estas nao serao nunca mais nada do que apenas palavras...

Monges budistas pelas ruas da capital do Cambodja

Jantei por ali com o meu novo amigo alemao e fui dormir pois estava completamente exausto da viagem e do calor que se sente nesta cidade. Engracado que no hotel nao tinha nem agua quente nem lencois na cama, apenas um resguardo, mas depois constatei que com o calor que faz por aqui nao sao necessarias nenhuma das duas coisas, apenas uma ventoinha e um pouco de paciencia para adormecer...

Baeta em plena via publica. Ha uqe poupar no aluguer :)

Prisao S-21
Na manha seguinte acordei cedo e fui a caminhar ate ao Tuol Sleng Genocide Museum tambem conhecido por prisao de seguranca 21 ou S-21. Este edifico antes da invasao do regime comunista do Khmer Rouge albergava uma escola secundaria. Foi aqui que a maior parte das torturas e interrogatorios foram levado a cabo pelos soldados do Khmer Rouge e quem passava por aqui tinha o seu destino tracado de acabar numa vala comum nos killing fields apenas a 15 km da cidade. Quando cheguei a prisao a primeira coisa que fiz foi ir ver o video documental que explica um pouco a historia do regime comunista do Khmer Rouge.
Tinham-me aconselhado a pagar um guia para fazer a visita a prisao e foi o que fiz (2USD). A nossa guia era uma senhora na casa dos 40 que tinha sido victima do regime pois alem de ser instruida, tambem vivia em Phnom Phen quando o Khmer Rouge invadiu a cidade e evacuou toda a populacao. Ela contou-nos que tinha estado 3 anos a trabalhar nos campos de arroz e pudemos ver algumas cicatrizes que tinha na perna devido a cacetadas que levava de vez em quando com pau de bambu. Durante o regime o exercito do Khmer Rouge matou os seus pais e a sua irma. Das cerca de 18.000 victimas que passaram por esta prisao, apenas sobreviveram 7 prisioneiros, os quais sao na sua totalidade artistas usados pelo Khmer Rouge para fazer os trabalhos que eles eram incapazes de realizar para a propaganda do Pol Pot, tais como fotografia, pintura e escultura, traduzidos em retratos e estatuas do sr. Pol Pot...


A prisao e composta por 4 blocos A, B, C e D. A visita comeca no bloco A. Todas as fotos que existem hoje em dia foram deixadas para tras pelos soldados do regime, pois nao tiveram tempo de destruir as provas.

Neste edificio as salas de aula estavam vazias tendo apenas no seu interior uma cama sem colchao, uma especie de algemas para os tornozelos feitas em aco corrugado para atar os prisioneiros, uma caixa para as fezes, um garrafao para a urina e uma fotografia na parede. Cada fotografia corresponde a uma das ultimas 14 victimas que morreram aqui na prisao antes dos soldados do Khmer Rouge escaparem dois dias antes da invasao da cidade por parte dos vietnamitas. Cada uma das 14 victimas eram soldados do Khmer Rouge que foram assassinados por saberem demasiada informacao sobre o que se passava aqui. Todos foram degulados e/ou estgripados e ainda se podem ver manchas de sangue no tecto das salas bem como restos das pocas de sangue nos mosaicos do chao. Completamente cruel e surrealista... Os corpos destas pessoas foram encontrados passados 2 dias da sua morte em elevado estado de decomposicao por causa do calor. Todos foram enterrados em frente do edificio.

Sala onde foram encontradas as 14 ultimas victimas do Khmer Rouge na S-21
Foto de uma das 14 victimas

No patio da prisao, existe um portico de madeira, onde os prisioneiros eram pendurados pelos pulsos (com os bracos atados atras das costas) ate ficarem inconscientes. A forma de os reanimar era ainda mais cruel. Dentro de uns recipientes ceramicos era misturada agua com fezes e urina, na qual se colocava a cabeca dos prisioneiros ate recuperarem os sentidos.

Bloco C, S-21

Os metodos de tortura eram sadicos e preversos e o objectivo era sempre o mesmo, saber a maior quantidade de informacao possivel e eliminar os prisioneiros. Na maior parte das vezes as pessoas interrogadas nao tinham nada a ver com conspiracao, mas depois de tanto sofrimento diziam qualquer coisa, inclusivamente nomes de amigos e familiares. As formas de tortura eram tantas e tao crueis que nao se podem imaginar numa mente sa.
As mulheres deixavam-lhes crescer as unhas durante 15 dias e depois arrancavam-lhas com ajuda de alicates colocando depois alcool na ferida. Como se isto nao fosse suficiente, despiam-lhes o tronco e cortavam-lhes os mamilos com tesouras. Na maior parte das vezes essas mulheres eram violadas antes de serem torturadas.
Aos homens normalmente cortavam-lhes a garganta com uma folha de palmeira deixando-os sangrar durante cerca de seis horas, tempo que demorava ate que perdessem a consciencia e morressem. Outras vezes esmagavam-lhes os testiculos com alicates ou torturavam-lhes com afogamento simulado. Existem diversas pinturas dos metodos de tortura, levados a cabo pelos pintores que estavam entre os 7 sobreviventes, sendo hoje em dia as ultimas testemunhas das atrocidades e tambem os porta-voz das victimas que morreram aqui.

Tortura por afogamento simulado (Vann Nath)
Cortando os mamilos a uma mulher (Vann Nath)
Tortura no portico de madeira (Vann Nath)

Alem disso os soldados do Khmer Rouge eram minuciosos como os nazis no registo das suas victimas, tendo tirado fotos aos prisioneiros antes de depois da tortura. Pode-se ver fotos de prisioneiros que froam mutilados cnos olhos com pregos, alguns a quem lhes deitaram acido sulfurico no nariz ate que morressem, outros que morreram de fome e de sede, enfim, toda uma gama do pior que uma mente preversa pode imaginar.

Fotos dos prisioneiros antes da tortura
Fotos dos prisioneiros depois da tortura. Ao centro no meio victima de tortura por acido sulfurico no nariz...

As salas de aula foram remodeladas como celas individuais de madeira ou de tijolo e tambem como salas de detencao em massa onde os prisioneiros nao podiam falar nem susurrar uns com os outros sob risco de execucao. Nas celas individuais pode-se ver ainda manchas de sangue, resultado de suicidio dos prisioneiros os quais cortaram os pulsos com a colher da sopa... Foi colocada uma vedacao de arame farpado, tapando toda a varanda do edificio para impedir que os prisioneiros se suicidassem, pois eram mais valiosos vivos por causa da informacao que eventualmente tinham em sua posse.

Celas individuais feitas em tijolo, bloco C

Sai dali competamente agoniado, depois da minha visita a Auschwitz nunca pensei que pudesse assistir de novo a tamanha barbaridade. Como se isto nao bastasse, disse-me a guia que depois de 1979 quando os vietnamitas invadiram o pais e devolveram a "liberdade" ao povo, o Pol Pot fugui para as montanhas, na fronteira com a Tailandia, protegido dia e noite por guerrilhas do regime. Para que nao houvessem represalias, o rei depois de restaurar a monarquia, decidiu dar amnistia a todos os soldados do regime do Khmer Rouge, isto e, decidui perdoar-lhes a todos. Muitos deles vivem hoje em dia no Cambodja como cidadaos livres. Perguntei a guia porque nao havia represalias contra eles, afinal tratam-se de assassinos e muita da populacao viu tais criminosos matar as suas familias. Perguntei-lhe porque ninguem fazia justica social. Ela disse-me que aqui no Cambodja e diferente do que nos paises occidentais, que eu nao poderia nunca compreender como funciona o seu pais nem os seus governantes, mas que a ninguem se lhe ocorre vinganca pois estaria em maus lencois. Nesta altura podia ver lagrimas nos seus olhos. Posso imaginar porque e que o Cambodja e um dos paises mais corruptos do mundo. Quanto ao Pol Pot, esse morreu nas montanhas em 1998 ja com 73 naos. Uns dizem que morreu de velho outros que foi envenenado. Os restantes lideres do regime do Khmer Rouge apenas comecaram a ser julgados por um tribunal especial, constituido para este caso em 2007 e todos foram condenados a prisao perpetua. Note-se que muitos dos lideres do movimento por esta altura ja tinham morrido ou ja passavam dos oitenta anos...

Killing Fields
Antes de visitar os campos visitei o museu e assisti a um outro filme sobre o Khmer Rouge. Os sobreviventes das torturas na prisao S-21 eram levados para um antigo cemiterio chines que foi destruido para que se fizessem valas comuns nas quais eram enterrados os prisioneiros. Ao chegar a este local normalmente punham-lhes uma venda nos olhos e davam-lhes um golpe com um ferro na nuca e depois cortavam-lhes a garganta antes de os atirar para dentro da vala. Muitos deles eram enterrados vivos. Foram encontradas mais de 150 valas comuns, muitas delas com varias tipologias de victimas, deixando no ar algumas perguntas sem resposta. Numa foram encontradas apenas corpos decapitados de varias dezenas de homens e numa outra corpos de mulheres e bebes. As criancas eram levadas ate aqui junto com as suas maes e sob sua observacao eram agarradas pelas pernas e esmagadas pela cabeca contra uma arvore (que ainda hoje sobrevive como testemunha silenciosa de tanta barbaridade).

Matando bebes nos killing fields
Esmagando bebes contra a arvore
"Killing tree" onde matavam os bebes

Havia altifalantes com musica que tocava muito alto, para esconder os gritos das victimas. Nunca ninguem soube da existencia de este campo de exterminio ate que foi descoberto pelos vietnamitas em 1979. No total exumaram mais de 8.000 corpos das valas comuns. O que mais impressiona nisto tudo e o monumento que o governo construiu em homenagem as victimas e onde foram colocados os seus restos mortais. Caminhando pela zona das valas comuns pode-se ver por todo o lado pedacos de ossos e de roupa que a erosao das chuvas vao trazendo a superficie. Ainda estao mais de 80 valas comuns por exumar.

Monumento as victimas mortas nos killing fields

1 de mai. de 2011

O lado negro do Cambodja

Era uma vez um pais, de gente modesta mas feliz, sem ter muito que oferecer ao mundo, contudo sem nunca pedir nada. Nao se pode compreender o porque de tanta maldade, mas o que e certo e que toda a nacao foi apanhada pelas redes de uma teia de uma sociedade cada vez mais escura. Sem o recurso a figuras idoneas, o triste destino deste maravilhoso pais estava nas maos de um movimento politico preverso, com cheiro a carne humana em decomposicao, pintando todas as paredes de uma nacao com cores escarlatas, de um funeral social. Este pais e o Cambodja.

A figura chave dos acontecimentos no Cambodja e o Khmer Rouge. O Partido Comunista do Camboja (Khmer Rouge), nasceu em 1951, ainda que em seus primeiros anos foi parte dependente do Partido Comunista de Vietnam (os Vietcongs). Nos anos 70 mudaram o seu nome para Partido Democrático de Kampuchea (Kampuchea é a palavra francesa para dizer Camboja). A ideologia dos Khmer Rouge misturava uma interpretação subjetiva e de extrema esquerda do maoísmo, centrando-se na libertacao da condicao social de pobreza dos camponeses e de riqueza das classes burguesas, igualando as duas classes sociais. Ate agora nada de novo, mas com o desenvolvimento da historia e dos acontecimentos, o resultado final foi uma combinação de maoísmo de palavra com um nacionalismo extremo na pratica chegando a tocar posturas racistas. O culminar de isto tudo foi um genocidio de milhoes de pessoas apenas comparavel a nivel de escala com o Holocausto.


Soldados do Khmer Rouge

Ate aos anos 70 o Cambodja era governado pelo principe Sinahouk, depois de se ter independizado da Franca como colonia. Durante a guerra do Vietnam, com medo de que o conflicto se alastrasse ate ao Cambodja o principe proibiu os USA de invadir o seu espaco aereo e de usar os seus aeroportos para fins militares. Os americanos ficaram bem chateados com o Cambodja e comecaram a tracar um plano atraves da CIA para tirar o principe do poder. Em 1970 aproveitando que o principe teve de sair do pais para ser tratado por medicos extrangeiros, um dos generais do principe fez um golpe de estado (com ajuda dos USA), anulando a monarquia e instaurando um novo governo, chamado Republica do Cambodja. Obviamente que este novo governo era simpatizante dos americanos e a partir de 1970 a guerra do Vietnam alastrou-se ate a fronteira do Cambodja., onde os Vietcong tinham as suas bases. Esta claro que bem ao estilo americano, os bombardeamentos na fronteira nao foram feitos com criterio militar. A filosofia de usar avioes B 52 para bombardear aldeias e pequenas concentracoes de pessoas, matou muita gente inocente. Os avioes B 52 sao avioes de guerra usados para bombardeamentos massivos de alvos militares de grande escala, como fabricas, aeroportos, bases navais, etc., mas quando sao usados em zonas agricolas, as baixas civis sao normalmente muito altas e os danos militares normalmente baixos. E do estilo "usar granadas para matar pulgas"...

Ao mesmo tempo que se passava tudo isto, o Khmer Rouge estava em pleno crescimento. Devido aos estragos feitos pelos americanos nas aldeias, os "camponios" (que tinham visto as suas familas morrer nos bombardeamentos) comecaram a juntar-se ao exercito comunista do Khmer Rouge. Alem disso a ideologia deste movimento estava cada vez mais consolidada, e era cada vez maior a vontade de derrotar o novo governo da Republica Cambodja que se tinha vendido aos americanos. Estava instalada uma guerra civil no Cambodja. Ao longo de 5 anos (1970-1975 - que foi quanto durou a guerra civil), o Khmer Rouge ficou cada vez mais forte e cada vez mais independente dos norte Vietnamitas, e em 17 de Abril de 1975 (apenas 5 dias depois dos USA terem saido do pais) a guerra civil terminou no Cambodja com a invasao e toma de Phnom Phen, a capital deste pais, por parte do exercito do Khmer Rouge. Uma vez mais vencem os comunistas e nasce a Democracia do Cambodja.

O lider do Khmer Rouge era um senhor chamado Pol Pot. Este senhor, com estudos de direito feitos em Paris - Franca, alem de ser muito inteligente e de ser um grande lider, era tambem um individuo completamente passado dos carretes, para mim, igual ou pior que o Adolf Hitler. Quando um doido varrido consegue chegar ao poder e mobilizar uma ideologia extremista a nivel massivo, as coisas nao podem terminar bem. Foi o que aconteceu aqui no Cambodja.


Pol Pot

A ideia do Pol Pot era criar um pais novo completamente re-estructurado e re-educado, concebendo-o a partir do zero, assentando a base economica do pais (se e que se pode chamar economica) na agricultura massiva. A primeira medida foi declarar o ano zero no Cambodja, assim que tomou o governo. Atraves de medidas radicais o objectivo do Pol Pot era isolar o pais do mundo exterior, longe da influencia do extrangeiro. Para isso destruiu literalmente com bombas todas as escolas, hospitais e fabricas. Destruiu tambem os bancos, financas e aboliu o dinheiro (o Cambodja basicamente deixou de ter um sistema bancario e uma moeda), proibiu religioes, proibiu o direito a propriedade privada (tudo o que existia, desde carros, casas, terrenos, etc, pertencia agora ao governo). Mandou queimar todos os livros, relogios, candeeiros, roupas, brinquedos, electrodomesticos, tecnologia (Tv's, radios, etc.) etc. Enfim tudo o que era de indole materialista e ocidental foi destruido. Da tecnologia apenas sobreviveram armas de fogo (para controlar a populacao de rebeldias) e camioes (para transportar comida e armas). Toda a populacao era obrigada a usar o mesmo penteado (mulheres cabelo pelas orelhas, e homens cabelo curto) e a mesma roupa (umas calcas e camisa de manga larga negras, com um lenco aos quadrados vermelhos e brancos). Qualquer outro tipo de roupa que nao fosse esta deveria ser destruida atraves do fogo.

Roupa obrigatoria a qual era igual a dos soldados do regime Khmer Rouge
Fotografia de prisioneiera do regime

Em relacao aos cidadaos do Cambodja a filosofia era a seguinte. Existiam dois tipos de classes na sociedade. Os camponeses, que nunca tinham vivido em cidades e portanto por nao saber ler, nem escrever e por nunca terem tido contacto com a civilizacao citadina, eram chamados as pessoas de base. Estas pessoas de base eram as fundacoes da nova sociedade pura e incorrupta, pois tinham uma mente nao influenciada pelo exterior e eram puros. Depois existiam as pessoas da cidade, que eram impuras, por terem tido accesso a educacao, por saberem ler e escrever, por terem trabalhos corruptos como engenheiros, medicos, professores, policias, etc. Para estas pessoas a vida na Democracia do Cambodja nao ia ser nada facil. A primeira medida radical que Pol Pot tomou foi evacuar as cidades atraves de mentiras (durante 3 dias), pois segundo eles os americanos (que ja se tinham pirado para os USA, mas a malta ainda nao sabia) iam bombardear todas as cidades. Assim sendo todas as pessoas das cidades pegaram em "meia duzia" das suas coisas (alguma roupa, joias e comida) e migraram para o campo, com a esperanca de voltar passados 3 dias.

Dia 1 do ano zero no Cambodja

Afinal nao foi assim. O Khmer Rouge aproveitou a evacuacao das cidades para destruir todos os edificios e queimar todas as coisas que segundo eles nao serviam na nova sociedade. Alem disso comecou a perseguicao de uma parte especifica da sociedade, que quando eram apanhados seriam presos, torturados e posteriormente executados, por representarem uma ameaca para o regime. Entre estas pessoas podiam-se encontrar as seguintes tipologias:
  • Todos os individuos com ligacoes ao antigo governo do Cambodja ou a governos extrangeiros.
  • Profissionais e intelectuais - Na practica incluia qualquer pessoa com educacao ou qualquer pessoa que usasse oculos (pois segundo eles era indicio de que a pessoa nao era analfabeta). Ironia do destino, e tocando a hipocrisia, o Pol Pot em pessoa era um individuo com formacao universitaria em direito, pois estudou em Franca, com um gosto pela literatura francesa e falava varias linguas. Ainda mais ironico era que um dos cappos do regime o Sr. Son Sen, usava oculos e foi um dos responsaveis pelo genocidio. Entre as pessoas perseguidas neste grupo encontravam-se, engenheiros, medicos, professores, artistas, tais como escritores, musicos, pintores, fotografos, etc.
  • Diversas etnias nao originais do cambodja "puro sangue" tais como chineses, tailandeses, vietnamitas bem como monges budistas e outros religiosos.
A crueldade surrealista com que estas pessoas eram torturadas e executadas com armas artesanais, vai ser relatada no meu proximo post, onde visitarei a cidade de Phnom Phen e explorarei os cenarios onde se realizaram estes acontecimentos.

As pessoas que nao eram perseguidas pelo regime eram obrigadas a trabalhar em regime de escravatura, nos campos de trabalho agricola, durante 12 horas por dia apenas com uma tijela de arroz e por vezes algum que outro vegetal e muita pouca agua (um copo de agua por dia). A maioria desta gente morreu de fome ou de doencas devido a falta de condicoes higienicas. Para quem quer explorar melhor o tema, porque vale a pena, aconselho um excelente livro relatado por uma sobrevivente do regime Fisrt They Killed My Father. E um livro espectacular daqueles que se leem num so dia pois nao se pode simplesmente parar de ler e ajuda completamente a compreender a historia do pais.


Campos de trabalho baixo o regime dos Khmer Rouge

O numero de victimas do Khmer Rouge durante os cerca de 4 anos que esteve no poder, foi de cerca de 2 milhoes. Metade destas victimas foram alvo de severa e dolorosa tortura e execucao e a outra metade, victimas de fome e doencas nos campos de trabalho. Se imaginarmos que os nazis na segunda guerra mundial mataram cerca de 5 milhoes de pessoas no Holocausto, entao imaginem a gravidade da situacao neste pais em apenas 4 anos tendo o mundo tomado conhecimento da crueldade humana na segunda guerra mundial. Ainda me faz muita confusao como e que o mundo permitiu tamanha atrocidade no Cambodja depois do que se viveu na Alemanha nazi.

Alguns restos mortais das victimas encontrados nas valas comuns

O unico pais que interviu foi o Vietnam que em 1979 invade o territorio do Cambodja e no espaco de apenas algumas semanas elemina o Khmer Rouge do governo, expulsando-os para as montanhas na fonteira com a Tailandia e libertando a populacao.

A heranca que deixou a passagem do Khmer Rouge no Cambodja para alem da falta ou lapso de uma geracao, foi tambem o grande numero de minas anti-pessoais deixadas pela guerrilha do Khmer Rouge que ainda hoje reclamam um elevado numero de victimas, para alem das marcas psicologicas e fisicas devidas a torutura e matanca que nunca niguem podera tirar da mente e corpos de esta gente. Nunca vi em toda a minha vida tanta gente, que para alem de serem muito pobres, a muitos deles falta-lhes algum braco e/ou perna.